AMANHECER
NA PERIFERIA
Por Germano Gonçalvez ©
Amanhece o dia.
O dia amanhece na periferia.
Abrem-se as janelas, das casas e barracões,
de tábuas e alvenarias,
E começa um novo dia.
O bar e mercearia do Seu Joaquim!
Já de portas abertas, pra vender pãozinho
francês.
Dona de casa sai pra comprar o pão.
O ocioso, já com copo de álcool no balcão.
Homens e mulheres se enfrentando
nos pontos, à espera de lotação.
Uns já atrasados outros já cansados.
Todos assalariados.
Amanhece o dia, na periferia.
Criança descalça, jogando bolinhas.
Soltando pipas, enquanto a mãe grita.
É hora da creche, é hora da escola.
Uns vão, outros pedem esmola.
Os carrinhos de mão passando nas vielas
em busca de panelas.
Papelões, plásticos e latas velhas.
Vem o homem do queijo, a moça solta um bocejo.
Passa o verdureiro, maçã e algodão-doce, batem
o tabuleiro.
O caminhão do gás apita primeiro.
Passa o carro de produtos de limpeza.
É assim o dia inteiro.
O carteiro juntamente
com o bicheiro.
Um traz cartas de
saudações nordestinas.
O outro quer o dinheiro
dos vizinhos.
O cachorro late, a moto
passa, o carro bate.
Meninos e meninas
brincando de bicicleta.
Moleques que jogam
bola, a toda hora.
Brincar de pega-pega,
polícia e ladrão.
Esconde-esconde, a
realidade de uma nação.
Os rapazes nos becos
sempre alerta.
Nas ruas o apito de um
guarda.
Na viela um corpo que
cai.
Aquele não era mais um
pai?
Amanhece o dia.
O dia amanhece na
periferia.
(do livro: O ex –
excluído – poemas e prosa)
Fonte: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/04/06/maes-favelas-coronavirus.htm
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